
” O ilustre Zenão, Zenão de Eléia, de fato pretendia provar que o movimento não existe. Argumento: voce diz que o movimento existe pois, se atiro uma flexa com meu arco, esta irá do ponto A (o arco) ao ponto B (o alvo). E isso é movimento. Eu respondo que de fato essa flexa não deixa de estar imóvel, que ela só pode na realidade, como tal, ocupar uma posição diferente no espaço a cada instante. Em outras palavras, em cada fragmento do tempo, por mais infinitesimal e até teórico que seja, a flecha está fixa. Jamais se pode dizer estritamente aqui-agora que está se mexendo. Imóvel no presente e sempre pega entre duas imobilidades, uma que precedeu e a outra que se seguirá a ela. O movimento portanto é uma ilusão, não existe nesse tempo. Isso só é concebível na ficção de um tempo memorial, ou seja, se nos deixarmos levar pela ilusão que resulta a adição dos diversos momentos da imobilidade, se nos construirmos uma síntese falsa por colocação em continuidades dos instantes de não-movimento.”
Philippe Dubois, O Ato Fotográfico.